Fibrilação-Atrial
Gilliard Vasconcelos

A fibrilação atrial é o tipo mais comum de arritmia cardíaca, onde os batimentos cardíacos se tornam fracos e irregulares causando um fluxo sanguíneo enfraquecido.

Cerca de 175milhões de pessoas em todo o mundo sofrem desta condição que é a segunda maior causa de mortes no mundo. Ela é responsável pelo aumento do risco dos derrames cerebrais (AVCs) e tende a aparecer com o avanço da idade. A estimativa é de que 5 a 10% dos brasileiros terão este tipo de arritmia no decorrer da vida podendo ocorrer sem aviso.

O novo estudo publicado pelo European Journal of Cardiovascular Nursing, descobriu que a prática regular de Yoga reduziu a frequência cardíaca e a pressão sanguínea melhorando também o autocontrole e a tranquilidade dos pacientes refletindo numa melhor qualidade de vida.

“Muitos pacientes com fibrilação atrial paroxística não podem viver suas vidas como eles querem, eles se recusam a jantar com amigos, ir a eventos ou mesmo viajar pois eles têm medo que aconteça uma crise de fibrilação, ” disse Maria Wahlström, enfermeira e candidata Ph.D no Instituto Karolinska em Estocolmo, Suécia.

 “Episódios de fibrilação atrial são acompanhados por dor no peito, dificuldade respiratória e tontura, ” disse Wahlström. “Estes sintomas são desagradáveis e o paciente se sente bastante ansioso, preocupado e estressado quando um episódio de fibrilação atrial irá ocorrer. A maioria dos pacientes que estão trabalhando interrompem o trabalho e vão ao hospital. ”

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A fibrilação atrial é a maior causa de derrames cerebrais.

O estudo incluiu 80 pacientes com fibrilação atrial paroxística que foram aleatoriamente divididos em dois grupos: um que realizou a prática de Yoga e outro que não. Ambos os grupos receberam o tratamento padrão quando necessário.

As aulas de Yoga foram praticadas por uma hora, uma vez na semana, por 12 semanas no hospital com um instrutor capacitado. O programa incluiu movimentos leves, exercícios de respiração profunda e meditação.

A qualidade de vida, frequência cardíaca e pressão sanguínea foram medidas em todos os pacientes no início e no final do estudo. Após 12 semanas, o grupo que praticou Yoga teve melhor desempenho mental, frequência cardíaca reduzida e pressão sanguina menor que o grupo controle que não teve mudanças significativas.

Wahlström disse, “nós descobrimos que os pacientes que praticaram Yoga tiveram uma melhor qualidade de vida, menor sobrecarga cardíaca e pressão sanguínea reduzida em comparação aos pacientes que não praticaram Yoga. Pode ser que as técnicas equilibram o Sistema Nervoso Parassimpático e Simpático reduzindo oscilações na frequência cardíaca. A respiração sinaliza ter efeitos benéficos sobre a pressão sanguínea”.

“Yoga pode melhorar a qualidade de vida em pacientes com fibrilação atrial paroxística pois dá aos pacientes um método para adquirir autocontrole sobre seus sintomas ao invés de sentirem-se completamente indefesos, “ disse Wahlström. “Pacientes no grupo de Yoga disseram que aprenderam a deixar ir suas preocupações e apenas permanecer observando internamente o corpo até que a situação normalize. ”

Wahlström conclui, “muitos pacientes que eu conheci que sofrem de fibrilação atrial paroxística são muito estressados. Yoga deveria ser oferecido como tratamento complementar para ajudá-los a relaxar. Isto pode reduzir suas visitas ao hospital baixando sua ansiedade até que a crise pare. ”

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